Um bocadinho sobre nós

A nossa história não é muito diferente, mas também não é muito igual a todas as outras histórias de como as pessoas descobrem este mundo da comida saudável. Ao contrário da maioria das histórias, não tivemos nenhuma doença estranha ou descobrimos que tínhamos mil e uma intolerâncias/alergias alimentares que nos fizeram mudar radicalmente a nossa alimentação da noite para o dia. Se há coisa que nos define, que é comum às nossas três personalidades, é que não somos nem gostamos de radicalismos. Tendemos naturalmente para uma situação de equilíbrio, em que o bom e o mau estão lado a lado e ajudam a formar os nossos seres, repletos de imperfeições naturais e bonitas. A nossa história é talhada de tantas vivências e aprendizagens que nem sabemos muito bem quando e como começou.

O início será provavelmente o facto de termos dupla nacionalidade (pai português e mãe alemã) e, por isso, termos a influência de duas culturas fortes e completamente opostas nas nossas vidas. Isto, entre outros, resultou em termos vivido em várias cidades (inclusive na Alemanha quando éramos bem novinhas) e termos desde cedo desenvolvido um espírito de união e família muito forte e único. Aprendemos que tudo muda, às vezes demasiado abruptamente, mas que de uma coisa podemos ter sempre a certeza: desde que estejamos unidos (família), tudo acaba bem. Somos a nossa própria rocha e sabemos sempre onde nos sentir seguros e amparados.

O gosto pela culinária também é uma coisa mais ou menos “genética”. Dizemos isto porque temos vários cozinheiros profissionais na família e todos, sem exceção, adoram boa comida e todo o espírito de convívio a ela associada. A influência de ter uma mãe profissional de saúde também cedo nos fez ter consciência da importância de comer (nutricionalmente) bem.

Porém, se há uns anos nos perguntassem “Conseguiriam ser vegetarianas?” soltaríamos uma valente gargalhada e um grande “Obviamente que não!!”. Apesar de sempre termos feito várias refeições inteiramente vegetais ao longo da nossa vida, não conseguíamos imaginar sobrevivermos sem “refeições normais”, as que sempre conhecemos. Na altura não houve esforço necessário da nossa parte para perceber todo o potencial da cozinha veggie.

Tudo mudou, e aqui podemos mesmo dizer que foi o nosso pequeno momento de “iluminação”, exatamente em Novembro de 2014, precisamente quando nasceu este blogue. A Carolina estava numa fase em que tinha muito tempo (estava à procura do seu primeiro emprego após ter terminado a faculdade) e usava-o para as suas habituais pesquisas aleatórias na internet. Deparou-se um dia com vários blogues culinários diferentes (entre os quais o deliciouslyella.com que continua a ser o seu mais que favorito!) e ficou intrigada como é que se podia viver uma vida vegetariana (e mais radical ainda, como no caso das dietas sem glúten, sem laticínios, etc.) não sendo hippie, não comendo seitan e outras coisas estranhas e, principalmente, de forma tão apaixonada, saudável e “na moda”. Pelo menos era o que os blogues apregoavam. Decidiu experimentar algumas receitas e rapidamente percebeu de onde vinha tamanha euforia: são realmente deliciosas, fazem-nos mesmo sentir fantásticos e a quantidade de novos ingredientes que desconhecíamos é enorme e entusiasmante. Foi precisamente aqui que nasceu o myintegralis, como que um livro de receitas virtual das novas descobertas que ela estava a fazer.

Mas ainda não foi aqui que nos tornámos vegetarianas. Foi preciso um empurrãozinho extra. Não bastava o “Sabe bem!”, a comida convencional também “Sabe bem!”. Em Fevereiro de 2015 falou-se muito de um documentário chamado Cowspiracy e de quantas mentes ele estava a conseguir mudar. No início não ligámos patavina e apenas pensámos “Oh, mais um documentário sobre galinhas a sofrer!”. Só que aconteceu de num qualquer dia vermos o dito cujo e a nossa reação foi tudo o que não estávamos à espera. Ficámos chocadas, não com o sofrimento animal (também é chocante, mas acho que nesta altura do campeonato, já toda a gente sabe como funciona a indústria da carne e do peixe), mas sim com a simplicidade e sentido óbvio que o autor expunha. Basicamente, ele explica (com montes de estatísticas verdadeiras e avassaladoras) o impacto que a dieta do ser humano, visto que a nossa querida espécie conta com mais ou menos 6 biliões de exemplares, tem sobre o mundo e as outras espécies. Mostra também o quão fácil é diminuirmos drasticamente este impacto (ao mesmo tempo melhorando a nossa saúde!). A solução é simples: sermos vegetarianos. Dito assim, não tem de longe tanto impacto como ao ver o documentário, portanto aconselhamos toda a gente a vê-lo. Foi aqui que nos deu o clique.

Por esta altura já éramos praticamente vegetarianas (inclusive os nossos pais!) porque já estávamos completamente obcecadas por quinoa, aveia, espinafres e tudo o que é verde. O documentário não foi de longe a razão, mas foi a gota de água que nos fez publicamente e orgulhosamente assumirmo-nos como vegetarianas. A parte do rótulo é mais uma questão social e que torna um bocadinho mais fácil explicarmos às pessoas que nos perguntam sobre esta questão. Odiamos rótulos (é uma espécie de radicalismo), principalmente por causa do julgamento que as pessoas fazem se não vivermos à altura do rótulo. O ser humano precisa de categorizar as coisas para tentar percebê-las, ou seja, preto é preto e branco é branco e assim está tudo bem. A vida, tal como a comida, é feita de mil cores e tentarmos admirá-la sem à força tentar perceber tudo é libertador e pleno.

Mantemos este blog desde então, agora gerido em conjunto por nós as três, com épocas menos e outras mais ativas, tentando conciliá-lo com a correria das nossas vidas. Ele ajuda-nos a relaxar, a ser criativas, a sorrir, a descobrir novas receitas e sabores cada vez melhores, a inspirar quem o lê mas, principalmente, ajuda-nos a ser melhores pessoas, mais conscientes, com mais valores e a trazer mais alegria e beleza aos pequenos momentos do dia-a-dia. O nosso objetivo é, e sempre será, a felicidade quotidiana, nunca o fundamentalismo e o julgamento. Esses inspiram o ódio e nós só queremos inspirar o amor. O amor pela comida deliciosa, o amor próprio (saúde) e o amor pelo nosso planeta. A maneira que encontramos de fazer isto foi através da comida vegetariana saudável e natural. Para nós está a resultar de maneira maravilhosa e esperamos que quem nos siga consiga entender e partilhar da nossa visão.

Bons cozinhados e sejam felizes sempre,

Carol, Tina e Xana <3

Conhece cada uma de nós!